Vice-presidente Geraldo Alckmin, na Unidade da Unipar, em Cubatão.
Investimentos estratégicos fizeram parte da da agenda do vice-presidente no Polo Industrial
Cubatão voltou ao centro do debate sobre o futuro da indústria brasileira. Poucos dias após a realização do Seminário sobre Neoindustrialização, Emprego e Futuro do Polo Industrial — que reuniu especialistas, trabalhadores, gestores públicos e representantes do setor produtivo —, a cidade recebeu, nesta segunda-feira (20), a visita do presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, em um movimento que reforça, na prática, a agenda discutida no evento.
A agenda incluiu visita à unidade da Unipar em Cubatão, que concluiu, em dezembro de 2025, um amplo processo de modernização industrial, com investimento superior a R$ 1 bilhão. A planta foi transformada na maior produtora de cloro por tecnologia de membrana da América do Sul — um marco relevante para a transição tecnológica do setor químico.
Do total investido, R$ 672,9 milhões foram financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, por meio de linhas voltadas à eficiência energética e à descarbonização industrial, incluindo recursos do Fundo Clima e do FINEM – Meio Ambiente. O projeto elimina o uso de tecnologias baseadas em mercúrio e diafragma, reduzindo em 70 mil toneladas as emissões de CO? em relação a 2020, além de promover queda de 40% no consumo de energia.
Presenças políticas e institucionais
A visita do Presidente também reuniu lideranças políticas locais, evidenciando o peso estratégico de Cubatão no cenário atual. Estiveram presentes a procuradora municipal Paula Ravanelli e o dirigente partidário Sergio Mantins, do Partido dos trabalhadores e os vereadores Marcinho e Guilherme do Salão, do Partido Socialista Brasileiro, além do presidente local do partido, Rodrigo Alemão.
A presença dessas lideranças reforça a articulação política em torno da retomada do desenvolvimento industrial e a busca por soluções estruturantes para a crise econômica local.
Convergência entre debate e ação
A visita presidencial ocorre em sintonia direta com as discussões realizadas no seminário do último sábado, que apontaram a necessidade de reconstrução de uma política industrial ativa, com foco em inovação, sustentabilidade e geração de empregos.
Durante sua fala, Alckmin apresentou um conjunto de medidas estruturantes voltadas à reativação do setor industrial, com impacto direto para regiões como Cubatão. Entre os principais anúncios, destacam-se:
Ampliação da oferta de crédito via BNDES, com juros subsidiados de 4% ao ano + TR; Redução da burocracia, com meta de diminuir o tempo de registro de patentes para até dois anos, alinhando o Brasil aos padrões internacionais;
Expansão do financiamento do Fundo Clima, incluindo projetos de etanol e biocombustíveis;
Estímulo ao comércio exterior, por meio de acordos comerciais e instrumentos de defesa contra práticas de dumping;
Retomada de investimentos estratégicos da Petrobras no setor produtivo.
Segundo o presidente em exercício, “não existe uma bala de prata, mas um conjunto de medidas que são importantes para a indústria brasileira poder crescer, empregar mais e avançar para uma indústria tecnológica, sustentável, competitiva e inovadora”.
Cubatão como território estratégico
A coincidência entre o seminário e a visita presidencial reforça a centralidade de Cubatão no debate nacional sobre neoindustrialização. Historicamente símbolo do desenvolvimento industrial brasileiro — e também dos seus custos sociais e ambientais —, a cidade vive hoje um momento de inflexão.
O fechamento e a hibernação de plantas industriais nos últimos anos evidenciaram a urgência de uma nova estratégia de desenvolvimento. Nesse contexto, a modernização da Unipar e os anúncios do Governo Federal sinalizam um caminho possível: a transição para uma indústria mais limpa, intensiva em tecnologia e integrada a políticas públicas de longo prazo.
Mais do que eventos isolados, o que se desenha é uma articulação entre formulação política, financiamento público e investimento produtivo. O desafio, agora, é transformar esse conjunto de iniciativas em resultados concretos para a geração de empregos, o fortalecimento da economia local e a construção de um novo ciclo de desenvolvimento para o Polo Industrial de Cubatão.
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