PAULA RAVANELLI
(*) PAULA RAVANELLI
Escrever para a Folha de Cubatão é, para mim, sempre um exercício que mistura orgulho, compromisso e responsabilidade. Cubatão já foi símbolo do desenvolvimento industrial brasileiro, mas também vivenciou, de forma intensa e crítica, os custos sociais e ambientais desse modelo. Hoje, mais uma vez, estamos diante de uma encruzilhada e ela é, sobretudo, política.
A realização do Seminário sobre Neoindustrialização, Emprego e Futuro do Polo Industrial de Cubatão surge nesse contexto. Mais do que um evento, trata-se de um espaço necessário de reflexão, articulação e posicionamento. Porque o cenário que enfrentamos é resultado de escolhas feitas ao longo do tempo e também de omissões.
Nos últimos anos, a retração industrial deixou de ser uma tendência distante e passou a impactar diretamente a vida das pessoas. O fechamento de unidades produtivas, a perda de empregos e a redução da arrecadação municipal revelam um processo de esvaziamento econômico que aprofunda desigualdades e compromete o futuro da nossa cidade.
Diante disso, é inevitável perguntar: qual é o projeto de desenvolvimento que queremos para Cubatão?
A chamada “neoindustrialização” não pode ser tratada apenas como um conceito técnico ou uma palavra de ordem. Ela precisa ser compreendida como uma agenda política do Governo Lula, que envolve decisões estratégicas sobre investimento público, inovação, sustentabilidade e geração de emprego de qualidade. Não há retomada industrial sem coordenação do Estado, sem planejamento e sem compromisso com o território.
Ao reunir diferentes atores — poder público, trabalhadores, setor produtivo e especialistas — o seminário cumpre um papel fundamental: o de criar condições para que esse debate aconteça de forma qualificada e, sobretudo, para que se transforme em ação.
Mas é preciso ir além. Cubatão não pode ser apenas espectadora desse processo. Precisamos disputar esse projeto, defender nossos interesses e exigir dos governos, em todas as esferas, políticas públicas consistentes que recoloquem a indústria no centro de uma estratégia de desenvolvimento sustentável e inclusivo.
Tenho convicção de que nossa cidade tem capacidade de se reinventar. Já fizemos isso antes. Mas essa reinvenção não virá espontaneamente, ela depende de decisão política, mobilização social e visão de futuro.
O seminário é, portanto, mais do que um ponto de encontro. É um ponto de partida.
E, como toda escolha política, o futuro de Cubatão será definido por aquilo que decidirmos construir - ou permitir que seja decidido por outros.
(*) PAULA RAVANELLI è procuradora do município de Cubatão e filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT)
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