O jornalista e ex-vereador cubatense, Dojival Vieira.
Proposta foi feita na inauguração do Cine Clube Inclusão, no último dia 2
A realização de uma auditoria ambiental em Cubatão que torne possível uma avaliação com base em dados e indicadores objetivos das condições ambientais na cidade, que já foi considerada o lugar mais poluído do planeta, e a participação na COP 30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, marcada para dezembro, em Belém. Esta foi a proposta feita pelo jornalista, advogado e ex-vereador Dojival Vieira, neste sábado 02 de agosto ao participar da abertura do Cine Clube Inclusão.
O espaço, concebido pelo animador cultural Kokinho Guerreiro e pela advogada Paula Ravanelli, reuniu militantes e ativistas de Cubatão e Baixada Santista, para apresentação do documentário “Cubatão: Vale da Morte”, do documentarista britânico Bo Landin. O documentário, produzido em 1987, traz entrevistas com ativistas da luta contra a poluição, e é aberto e encerrado com a fala do jornalista, à época com 31 anos.
Segundo ele, que foi uma das principais lideranças da luta contra a poluição e fundador da Associação das Vítimas da Poluição e das Más Condições de Vida de Cubatão, é impróprio fazer comparações entre momento atual e o que se viveu entre os finais dos anos 70 e 80, porque são momentos distintos. Tampouco se pode afirmar que tudo melhorou e que Cubatão merece continuar ostentando o título de cidade símbolo da Ecologia.
“Houve um processo de industrialização acentuado. O mundo é outro hoje. Penso que não se deve comprar, de forma acrítica, o discurso da propaganda das indústrias e do poder político que as representa, de que os problemas foram resolvidos. Não foram e o que temos visto pode se resumir numa única palavra:propaganda”, cita. “Pra começar é preciso levar em conta de que não temos indicadores confiáveis para afirmações ufanistas. A incidência de câncer e de problemas respiratórios como causa mortis, segue muito alta. Quanto foi investido nos últimos 10 anos em tecnologias de controle pelas empresas? Quanto de rejeito industrial segue sendo lançado nos rios e mangues? Quantas toneladas são lançadas na atmosfera? Ninguém sabe e não considero que a Cetesb possa ser vista como fonte confiável. A empresa tem excelente corpo técnico, mas sua gestão é política e se alinha ao governo de plantão – no caso presente, um governo de extrema direita bolsonarista, com posições nazifascistas”, conclui Dojival.
A proposta de Auditoria sugere romper o maniqueísmo de quem tende a ser pautado pela propaganda de mais de 40 anos que diz que a cidade virou “Vale da Vida – Símbolo da Ecologia”. “Essa propaganda lançada pelo ex-prefeito Nei Serra, um homem notóriamente do parque industrial (CIESP), não se sustenta há décadas, e segue no imaginário do senso comum pautando o debate e contrariando todas as evidências. A verdade é que a cidade há décadas sofre um desmonte programado e corre risco de se tornar um grande pátio de caminhões e área de extensão e apoio das indústrias, se nada for feito, a começar por um bom diagnóstico”, afirma o jornalista.
Além de audiências públicas, com a presença de cientistas e pesquisadores, por exemplo, da SBPC, o jornalista sugere a realização de estudos e pesquisas a partir dos indicadores a serem monitorados por fontes independentes da comunidade e abertura de interlocução com a participação em mesas na COP 30, marcada para dezembro em Belém.
“O Poder Público poderia, junto com a sociedade civil, tomar a frente desse tipo de iniciativa. Não se pode dar crédito a uma campanha publicitária que, se quando lançada era apenas uma campanha de marketing político, nasceu velha, já há muito tempo, definitivamente, não se sustenta mais de pé”, concluiu.
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